Ao longo da juventude ouvi muitas vezes esta sentença dos adultos, sempre no sentido de repreensão: como se tivesse que afastar o "mal do crescimento". Ainda hoje, por vezes recebo um convidado em casa – "pessoa grande" – e quando vê minhas prateleiras de jogos pergunta: "você coleciona filmes?" depois de revelada a natureza da exposição, quase sempre se instaura um clima de silêncio; um silêncio tão repreensivo quanto os adultos da minha juventude. Grande parte da sociedade ainda reprova os costumes gamers sob suspeita de ser "um atraso no 'adultecimento'", jogar é brincar e quem joga games desvela uma resistência em sair da condição infantil.
