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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Games de Terror: Qual o Encanto por Detrás da Atração?

Chegamos a um momento Thriller, o ADA pretende fazer um apanhado histórico dos jogos de terror mais efetivos em sua proposta, ao mesmo tempo entender: Porque os gamers se sentem tão atraídos pela ambientação desses jogos? A jornalista Rita Loiola, em sua matéria pro Galileu fez uma extensa pesquisa com especialistas para entender porque gostamos de sentir medo, seus resultados são endossados por esta matéria.


Como esbocei em outro artigo, todos nós temos um traço "embaixo do tapete" de nossa personalidade, algo velado, escondido pelo capuz da aparência criada para escapar subitamente do desamparo da criança que um dia fomos. Porque não dizer que a criança que tentamos manter presa está, na verdade, ativa nas menores de nossas decisões? A ambientação das mídias de terror, em especial dos games pela agravante interatividade, são interessantes porque evocam, inconscientemente, nossa criança adormecida. Quem nunca teve medo do monstro embaixo da cama? Ou fez questão de dormir de luz acesa? A criança cultiva um natural sentimento de impotência diante de um "desconhecido" avassalador; quando "adultecemos", apenas encapsulamos o infante, mas ele continua lá.

A sensação de medo provocada pelos jogos de terror pode ser uma evocação das angústias que não foram resolvidas no passado, talvez por isso seja tão atraente. É atraente porque é um palco controlado de brincadeira no qual podemos reviver aflições infantis possibilitando lidar melhor com elas. 

Estabeleci uma ordem cronológica dos games que mais me apavoraram, e não foram poucos; acredito que o medo é muito particular em cada um, portanto muitos não concordarão com a lista. O que verdadeiramente importa é como este ou aquele game lhe proporcionou uma regressão.

Sem mais delongas, vamos aos nossos terapeutas de choque: 

Splater House 3 - Em 1993, este game me rendeu alguns pesadelos, sobretudo com a realística e sombria banda desenhada da Jennifer e a tenebroso mid de fundo. A versão de Splatterhouse para esta geração está mais para piada do que para thriller .








Resident Evil - Apenas o primeiro, e até a metade. Em 1996, o ambiente inicial apavorante de uma mansão abandonada com uma arquitetura bela e antiquada remetia a uma insegurança como uma criancinha deixada em casa, sozinha e à noite.




Silent Hill - em 1999 o caldo engrossou de vez. De forma inédita em um game se viu uma trama baseada integralmente no terror psicológico. A sombria ambientação e enredo feito por uma equipe de cineastas especializados, tornou Silent Hill um marco na história dos games thriller.






Silent Hill 2 - 2001 - Este não é uma sequência do primeiro, é um spin-off. O grande diferencial deste jogo é que esta vez a trama é centrada nas crises subjetivas do protagonista, o próprio ambiente, monstros e personagens secundários do game são na verdade um conjunto de metáforas que servem para levar James para um aspecto de si que ele mesmo tinha reprimido. Simplesmente angustiante.



Fatal Frame 2 - 2003 - Chegou a hora dos japoneses chegarem para ficar nos jogos de terror. Este jogo propõe uma narrativa J-Horror, como é chamado o estilo de terror nipônico: uma abordagem parecida com "O chamado" ou "O grito", baseado em uma história intrigante e muitos (muitos mesmo) sustos.



Silent Hill 4 - The Rom - em 2004, o diferencial deste jogo era sua ambientação original. Tecnicamente você passa o jogo inteiro preso em um apartamento realisticamente macabro, abria-se buracos onde se entrava em mundos paralelos para se fazer as missões. A visão obrigatória em 1ª pessoa na casa era aflitiva.




Zero: Tsukihami no Kamen (seria Fatal Frame 4 ou Project Zero 4) - (2008) - Vejam o que falei de Fatal Frame 2 e multipliquem por 4. Essa fórmula torna este game o melhor jogo de terror da história. Bom, pelo menos foi o que eu mais me borrei, a sensação é de pequeno e completamente impotente diante do desconhecido eminente. Este jogo foi tão forte que talvez por isto não tenha saído oficialmente do Japão. Porém, os próprios fãs lançaram mods de tradução em vários idiomas, inclusive em brasileiro: se você possui o game original, pode legalmente experimentar os mods.

Alan Wake - (2010) Eu já tratei deste jogo em outro artigo. Alan Wake é o único bom jogo de terror na era da alta definição. É pouco, parece que com a primazia gráfica estão morrendo também os games thriler. Veja mais sobre isto neste artigo.




O ADA separou demonstrações de jogabilidade:



Enfrentar os medos é a melhor estratégia para vencê-los. As angústias vividas nestes jogos são, na verdade, analogias de reais situações íntimas que nos impuseram dificuldades no passado. Nosso inconsciente sabe disso, por isso há uma atração intuitiva por esta temática. Contudo, nem todos já estão preparados para este enfrentamento, de forma que só aconselho para aqueles que forem "crescidos" suficientes para encarar sua criança interior.

E você, tem medo de quê?


De David Brasil: psicólogo e apaixonado pela arte em pixels
arenadecimaarte@gmail.com

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